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Definindo a mancha gráficaEditar

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A mancha gráfica em qualquer projeto editorial sejam livros, revistas, panfletos, jornais, catálogos, encartes, pôsteres, ou qualquer tipo de peça impressa ou em mídia digital, é a área de distribuição dos elementos gráfico, figurativos ou textuais. É a sua efetiva área de trabalho.

Muito antes de se escolher a tipografia, o corpo das fontes, seu peso, cor ou inclinação, é preciso definir-se o espaço onde a massa de texto será distribuída. Este espaço denomina-se coluna. Porém, somente será possível definir-se o tamanho da coluna após definir-se o tamanho da mancha gráfica. Sendo assim, a mancha gráfica pode ser considerada elemento soberano no desenvolvimento de um projeto gráfico.

De forma que dentro das etapas de criação num projeto editorial podemos sintetizar a seguinte seqüência:

  1. projeto da mancha gráfica
  2. definição do número de colunas
  3. definição da tipografia ou das famílias tipográficas e seus estilos


Somente o projeto da mancha gráfica poderá dar ao designer uma noção de que proporção irá empregar em fotos, imagens, gráficos e massa de texto dentro da página. É comum ao designer preocupar-se muito com a escolha das fontes, não que isso não seja importante, mas é secundário em relação à importância de um bom projeto de grid.

O que define a mancha gráfica é a construção de suas margens.

É facultativo ao designer definir a margem que melhor lhe convir. Porém, existem diversas regras e métodos muito eficientes que podem ser ou seguidos como modelo ou servir de inspiração para a geração de novos modelos. É comum aceitar-se que uma relação matemática de proporção entre o tamanho da página e a área de mancha gráfica criarão no design uma impressão muito mais agradável ao leitor. A mais famosa relação é a chamada relação áurea, onde a página terá uma área proporcional a 34 por 21 e a área de mancha gráfica terá margens com medidas obedecendo a seguinte proporção:

  • 3 para a margem superior
  • 6 para a margem inferior
  • 2 para a margem interna
  • 4 para a margem externa

As margens, além de definir uma área de trabalho para o designer, também favorecem a criação de uma proteção ao conteúdo de informação quanto às questões físicas inerentes a um projeto impresso como no caso da dobra dos cadernos de um jornal, revista ou livro, permitindo que o conteúdo de informação escape da área de dobra, favorecendo a legibilidade. Da mesma forma que a margem também irá proteger o conteúdo no processo de acabamento da mídia impressa. Por último, a função da margem irá fornecer ao projeto uma área de arejamento, tornando o processo de leitura mais leve.

No projeto de revistas, teremos os mesmos critérios para classificar as margens que utilizamos em projetos de livros:

  • Econômicas
  • Normais
  • Luxuosas

É fato porém, que raramente encontraremos jornais ou revistas com um projeto de mancha gráfica do tipo luxuoso ou elegante. Mesmo no caso de livros, é praticamente restrito aos livros de arte este caso especial de projeto de mancha.

As margens podem ser todas iguais, iguais duas a duas, ou seja, a superior igual a inferior e a esquerda igual à direita, três margens iguais com a interna maior ou todas as margens desiguais, entre outras muitas variações.

De uma forma padrão, porém não obrigatória, uma revista, assim como qualquer livro de formato retangular vertical poderá obedecer ao seguinte processo de criação:

Página.jpg

Desenhe um quadrado inicial, trace uma diagonal, este será o raio do arco que marca a altura maior do retângulo como podemos ver na próxima seqüência.






A seqüência acima descreve o método de desenho com a proporção vertical padronizada pela norma DIN (Deustch Industrie Norms). Como a norma DIN estabelece o formato da página a partir de um quadrado, sendo o lado menor da página igual ao da base do quadrado e o lado maior da página igual a diagonal do quadrado, para projetarmos qualquer página dentro da norma DIN, basta multiplicarmos a base da página por 1,4142 para conhecer sua altura, e teremos uma página proporcional normalizada.

Mancha econômicaEditar

De uma forma muito ampla, manchas classificadas como econômicas, categoria onde geralmente encontram-se os livros de texto, crônicas, romances, os pocket books entre outros, apresentam margens pequenas, com pouca área de arejamento e o máximo de área de texto impressa. Quase sempre encontraremos simetria entre as margens. Simetria dois a dois, simetria em três margens ou simetria nas quatro margens. Vejamos então como traçar a mancha gráfica de um livro econômico.

Agora, uma vez desenhada a página, como vimos no esquema anterior, trace a sua diagonal. Teremos duas diagonais então, a diagonal do quadrado original e a diagonal da página. No ponto onde a diagonal da página intercepta o arco formado pela diagonal do quadrado original, trace uma perpendicular para cima (terceiro quadro da seqüência abaixo). Este retângulo proporcional menor será a sua mancha gráfica. Mas como reposicioná-la de forma simétrica? Para isso precisamos dividir ao meio a área que sobra à esquerda e abaixo (veja ao quarto e quinto quadros da seqüência abaixo). Reposicione este retângulo menor no centro da página para criar o arejamento das margens e pronto, está desenhada a sua página mestra, como vemos na próxima seqüência logo abaixo:

Margem.jpg






Manchas tradicionaisEditar

Agora, uma vez desenhada a página, trace a sua diagonal. Teremos duas diagonais então, a diagonal do quadrado original e a diagonal da página. No ponto onde a diagonal da página intercepta a base do quadrado original, trace uma perpendicular para cima. Este retângulo menor será a sua mancha gráfica. Re-posicione este retângulo menor ao longo da diagonal do retângulo até que este encontre o arco formado pela diagonal do quadrado original, para criar o arejamento das margens e pronto, está desenhada a sua página mestra, como vemos na próxima seqüência da próxima página.

Margem2.jpg

Manchas de luxo ou elegantesEditar

Trace o formado equivalente de duas páginas, como se estivessem lado a lado. Divida o que seria o lado maior (altura da página) em oito espaços iguais. Agora, da ponta que marca o limite interno da página ímpar com a página par, trace duas diagonais, uma para direita e outra para esquerda, cruzando com a sexta divisória. No ponto em que as diagonais cruzam com a terceira divisória de cima para baixo, forma-se um retângulo proporcional que deverá ser deslocado para o ponto de intercessão das diagonais com a primeira linha divisória como vemos na figura a seguir.

Margem3.jpg





A mancha na proporção áureaEditar

Prop aurea.jpg
A tradicional margem de proporção áurea é feita da seguinte forma:

1- Traça-se uma diagonal na página esquerda e outra na página direita ligando o topo à base, a partir das faces que unem as duas páginas.

2- Traça-se uma mediatriz horizontal e outra vertical nestas duas páginas, na esquerda e na direita.

3- A partir do centro da página traça-se uma circunferência cujo diâmetro é o diâmetro da página.

4- No ponto onde esta circunferência intercepta a diagonal desenhada no passo 1 eleva-se uma vertical e traça-se uma horizontal. Estas duas linhas marcarão as margens externa e inferior da página.

5- Desloca-se esta circunferência para cima na metade da distância da margem inferior à borda da página.

6- Traça-se uma tangente ao círculo, paralela à mediatriz horizontal da página. Esta será a margem superior.

7- No ponto onde a margem superior atinge a diagonal traçada no passo 1, traçamos uma linha vertical que será a margem interna da página.

8- Espelhando este procedimento obtêm-se as margens de ambas as páginas.

Por questões econômicas e criativas mesmo, nem sempre iremos fazer um projeto editorial numa proporção áurea. Assim, o processo tradicional de se projetar uma margem dentro de uma proporção áurea pode e deve ser adaptado para qualquer outro tipo de formato.

Os tipos de margensEditar

Margens tipos.jpg
Margens tipos2.jpg

Os diagramas que vemos a seguir ilustram uma série de características construtivas para um projeto de margens.

Quando se trata de um projeto editorial como um folder, uma revista, uma newsletter, um jornal ou um livro, sempre veremos a condição de páginas faceadas, lado a lado. Por isso, costuma-se denominar as margens como superior, inferior, interna e externa.

As margens poderão ser todas iguais, sem diferenças de medidas entre si, porém, sempre existe o risco deste tipo de design se tornar monótono.

Além das margens iguais, pode-se projetar margens muito finas, que ocupem mais de 90% da área total da página. Isto causa um efeito imprevisível. Não funcionará para a maior parte dos projetos de livros e jornais, porém, algumas revistas tem obtido êxito em usar este tipo de diagrama.

As margens tradicionais tem a margem superior arbitrária, ou seja, será definida pelo designer, não tendo uma razão necessariamente geométrica para sê-la. A partir desta margem superior arbitrária, a margem inferior será o dobro da superior, a margem interna será ¾ da superior e a margem externa será o dobro da interna.

Podemos ter margens desiguais que favorecem certos deslocamentos que quebram a monotonia na própria mancha e que também permitem a inserção de alguns elementos gráficos fora da mancha. Também são conhecidas como margens escolares. Podem ocorrer em livros muito grandes como em dicionários e Bíblias, para compensar opticamente a grande curvatura na dobra de abertura destes (gutter).

As margens podem ser espelhadas. São as mais comuns, ocorrem em margens iguais, iguais finas e nas tradicionais. A idéia de se espelhar a margem veio da necessidade de não se sobrepor a mancha da face da página com a mancha de seu verso, no caso de se imprimir em folhas muito finas que apresentam certa transparência, criando um efeito óptico indesejado.


As manchas podem ser idênticas, onde não se espelham as páginas faceadas, porém repete-se na página ímpar a mesma mancha da página par. É pouco usual.

Podem ser do tipo Tensa, Informal, Formal e Luxuosa. Todas estas podem ser empregadas em edições mais requintadas, elegantes, pois apresentarão grandes áreas de arejamento. As informais são do tipo assimétrico ou mancha desigual. As tensas ocuparão quase toda a altura da página, porém, pesando geometricamente a página, pois, apresentam recuo para a borda desta. As formais são centradas na página. As elegantes ou luxuosas são a combinação da informal com a centrada.

Os diagramas vistos aqui em cima apresentam aplicações diversas do processo de divisão de colunas após a definição da mancha gráfica. É neste ponto que o designer começa a definir a estrutura de sua grade (grid).

Elaborado pelo prof. André Furtado – Departamento de Expressão Gráfica – UFRGS - 2009

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